É meu!

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Pare com o roubo de conteúdo!

23.12.06


Barbeiros exercem a sua profissão ao ar livre num hutong (bairro antigo da capital) de Pequim, nos arredores do mercado de peixes e pássaros em Chegongzhuang, em Março de 1988. Cenas em tudo semelhantes eram comuns por todo o país. Por detrás dos barbeiros e seus clientes, vêem-se dois dos objectos de uso quotidiano mais representativos da vida chinesa: uma bicicleta e uma garrafa-termo.

Nongmin, camponês. Nas margens do rio Li, na região de Guilin, talvez a mais famosa paisagem da China, um camponês de chapéu de palha transporta com elegância dois cestos repletos de melancias, com uma vara atravessada nos ombros, como é típico no país. Excepto no que toca às roupas do camponês, é uma dessas imagens da China que se mantém intacta desde o passado remoto. Julho de 1991.

Gongren, trabalhadores. Atente-se na afabilidade, na alegria pronta de cada um destes rostos de trabalhadores chineses ao serem fotografados. Labutavam sob o sol de Junho no sopé do precipício do Dragão de Ouro, na montanha sagrada Heng, aonde se encontra o Templo Suspenso de Xuankong, província de Shanxi, em 1988. Repare-se nas escadas feitas de troncos de bambu, como se vêem muito no Oriente.

Este calígrafo trabalhava numa rua de Chengdu, capital da província de Sichuan, em Novembro de 1997. Pendurara a prancha na parede exterior de uma casa e dedicava-se a pintar os nomes dos transeuntes em caligrafia artística. Nesse tipo de caligrafia, os caracteres chineses são pintados como flores, montanhas, pássaros, borboletas, bambu, fénixes e dragões. Uma pequena multidão rodeava o calígrafo e não arredava pé enquanto não levasse para casa, a troco de uma módica quantia, o seu nome transformado em pintura. O cliente cujo nome era então escrito tinha o apelido mais vulgar da China: Wang ( ). O calígrafo transformou-o num dragão. Wang significa "rei" e nada melhor do que o Rei Dragão para exprimir esse caracter.

No mercado de peixes e pássaros de Chegongzhuang, Pequim, Março de 1988, vendiam-se, além dessas duas espécies sobre as quais recaem as preferências dos chineses, gaiolas várias, paisagens em miniatura, bonsai e um pouco de quinquilharia. Havia também bancas de costureiros ao ar livre. Os possíveis compradores passeavam-se observando em silêncio e com atenção os peixes nos seus alguidares e os pássaros nas suas gaiolas. Em 1988, os uniformes azuis que se vêem na fotografia eram ainda muito comuns. Foram eles que valeram aos chineses, nos tempos da Revolução Cultural, a alcunha de "formigas azuis".

Frente à Estação de Pequim, a principal da cidade, era este o cenário habitual: centenas de pessoas acampadas com as suas bagagens. Na sua maioria, tratava-se de camponeses que andavam à procura ou já haviam procurado em vão uma oportunidade na capital. Maio de 1991.

No bazar de Turfan, Xinjiang (Turquestão chinês), um comerciante Uigur de melões dispõe a sua mercadoria em filas ordeiras sobre o solo, em Julho de 1990. Em segundo plano, um outro vende melancias. Melões, melancias, romãs e uvas do Turquestão chinês são famosos em todo o país. Nessa remota província, encontram-se camas por toda a parte ao ar livre, como se pode verificar por esta fotografia.

Duas mulheres tibetanas em peregrinação a Lassa contemplam a cidade do alto do Palácio Potala, em Julho de 1988. Envergam a simples túnica tradicional de uma só peça até aos pés, atada na cintura com uma faixa de lã. Nas tranças enrolaram fios de lã juntamente com o cabelo.

Mais três nómadas que se encontravam em peregrinação a Lassa, em Julho de 1988. Com a excepção dos sapatos, estão completamente vestidos à maneira tradicional, como era vulgar entre os tibetanos. Cruzámo-nos nas traseiras do mosteiro Sera, onde abundam pedregulhos sacralizados com pinturas religiosas. No que aqui se vê foi pintada a imagem de Tzong Khappa, o fundador da Seita dos Barretes Amarelos, Gelugpa em tibetano (os Virtuosos).

Mulher da etnia Bai, nos arredores de Dali, perto da fronteira com a Birmânia, em Julho de 1991. Frente à sorridente mulher de tranças, seguia outra com um bebé às costas, enfiado numa espécie de saco rígido profusamente bordado, típico da região. Maravilhava-me, na China, a simplicidade quase sempre radiante com que as pessoas aceitavam ser fotografadas.


Uma família Uigur de Turfan, no Xinjiang. Como bons crentes no Islão, apresentam todos a cabeça coberta. As mulheres têm um aspecto radicalmente diferente das chinesas Han. Além do véu, usam vestidos de cores exuberantes e brincos nas orelhas. As feições dos Uigur têm forte influência caucásica, o que nesta família é bem patente, sobretudo na menina mais nova. Julho de 1990.

22.12.06


Tomando ar no exterior encontrava-se este velhinho de uma aldeia nos arredores de Pequim, em Outubro de 1987. Devia ter mesmo muita idade, mas ainda achava imensa graça ao facto de ser fotografado por uma estrangeira.
Calçava sapatos de pano de recorte tradicional, vários pares de calças e luvas quentinhas. Em comparação com os ocidentais, os chineses estimavam muito mais os seus velhos. Grande parte vivia com a família até finar-se, sendo elementos importantes na educação de netos e bisnetos. Este, no entanto, provavelmente tudo quanto conseguia fazer era comer, dormir e aquecer-se ao sol.

No complexo de templos dedicados a Confúcio, em Qufu, província de Shandong, local do seu nascimento e da sua morte, fazia-se exibir este venerável ancião, que contava então (Maio de 1990) mais de cem anos, como sendo o último descendente do Mestre. Mais um. Qufu está cheio de últimos descendentes do Mestre. Este atraía muito mais as atenções do que os monumentos em redor. De acordo com o espírito fortemente turístico do local, carregava ao peito uma pesada colecção de pins e crachats de todo o género, alusivos a locais famosos, acontecimentos desportivos, etc. Alguns podem ser entrevistos na fotografia.

Os velhotes chineses têm amiúde a aparência de sábios. Reparem na categoria deste, a amistosa tranquilidade com que encarou uma estrangeira que ia a passar e o fotografou, em Maio de 1988, no templo Louguantai, Xi'an, Shaanxi.
Estava muito bem agasalhado, com roupa de recorte tradicional e calças acolchoadas. Era vendedor de laranjadas. Entre um e outro cliente fazia rodopiar nas mãos um par de Bolas da Saúde.
As Bolas da Saúde são muito populares entre os chineses de idade mais avançada. Utilizando os cinco dedos, fazem-se girar no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio. São inúmeras as suas qualidades terapêuticas: normalizam a circulação sanguínea, acalmam os orgãos internos, acabam com a tremura ou dormência nas mãos e artrite nos dedos e pulsos; regularizam as funções do sistema nervoso central e reforçam o poder da memória; diminuem a fadiga e relaxam os músculos; previnem a hipertensão e certas doenças crónicas; combatem os males e dolência da velhice; acalmam a mente e afastam as preocupações. Queriam mais?

Guizhou é uma das regiões mais pobres da China. Várias etnias minoritárias habitam a região, vivendo em condições assaz miseráveis. Esta velhota das montanhas vendia amendoins para seu sustento. Os amendoins são extremamente populares no país. Mesmo às principais refeições, almoço e jantar, é quase obrigatória a presença de um prato só de amendoins para acompanhar os restantes. Julho de 1991.

Velhos de Dali, província de Yunnan, num breve momento de conversa. Ele guardava a sua banca improvisada de objectos para o culto aos altares quando ela passou com a bengala de bambu e sandálias de corda semelhantes às dele. Na outra esquina, alguém vendia copos de chá. Julho de 1991.

São vendedoras de rua da região de Guilin, província de Guangxi, em Julho de 1991. Vendiam artesanato - pulseiras e cachimbos - aos turistas. A que se encontra em segundo plano, entre o espantado e o divertido, observa o desempenho mais expedito da outra. Sob o enorme chapéu de palha, com um dente de ouro a condizer com o brinco, tornava-se difícil resistir à sua risonha persuasão.

Todo o lugar parece ser bom para a bisbilhotice segundo estas quatro velhotas, até o Templo Wenshu, em Chengdu, capital da província de Sichuan. Entre pedidos e agradecimentos a Buda, conhecem-se as novidades terrenas. Novembro de 1997.

Velho casal de cazaques do acampamento em Baiyanggou, no Xinjiang (Turquestão chinês), Julho de 1990. Tanto nas suas feições, típicas da Ásia central, como no seu vestuário, diferem grandemente dos chineses Han. Na verdade, parecem-se mais com ciganos, ou mesmo com um casal camponês do Portugal de há cinquenta anos. Mas são cazaques, nómadas por tradição, e habitavam nas tendas que se vêem ao fundo.

Um vendedor de óleo Uigur serve um cliente no bazar de Turfan (Xinjiang ou Turquestão chinês) em Julho de 1990. O comerciante tem o aspecto comum dos velhos Uigures, que deixam crescer longas as barbas e envergam túnicas também elas longas.

Monge do Templo Longquan, em Wutaishan, província de Shanxi, Junho de 1990.
O monge, que antes rira descontraidamente connosco, pousou com esta súbita solenidade para a minha fotografia. Colocou as mãos no mudra (gesto ritual) da meditação e, com o terço bem em evidência, de repente não era apenas ele mas o peso todo da religião budista que posava para a posteridade.
Em segundo plano, avista-se o maravilhoso pórtico que o Templo Longquan exibe com orgulho, ao alto de 108 degraus.

21.12.06


No templo Pusading, em Wutaishan, província de Shanxi, viviam estes dois monges velhinhos, em Junho de 1990. Eram seguidores do budismo lamaísta, predominante em Wutaishan. Trata-se de uma montanha sagrada para tibetanos e, sobretudo, para mongóis, que ali se deslocavam em peregrinação. Celebra o culto a Manjusri, o bodhisattva da sabedoria.
Envergando os seus belos hábitos lamaístas em tons carmim, ambos os monges, cabelos já branquinhos, teriam decerto uma idade muito avançada. No entanto, quanta espontaneidade na sua maneira de sorrir! Parecem bebés.
Um terceiro monge juntou-se aos primeiros.

Celebrava-se o Ano Novo no Templo Taoista de Zhongyue, na montanha sagrada Song, província de Henan, quando lá chegámos em 1988.
Os monges taoistas vestem-se de azul e deixam crescer o cabelo, que prendem em carrapito no alto da cabeça.
Os dois noviços seguram uma tabuleta aonde se pode ler "Associação taoista da província de Henan". Todos os monges do Zhongyue, um dos templos taoistas mais importantes da China, encontravam-se reunidos à entrada. Em redor havia foguetes e música tradicional tocada ao vivo por um pequeno grupo de instrumentistas em grande chinfrim.

Dois monges tibetanos compram sutras em Barkhor, a rua que circula em volta do mosteiro Jokhang, em Lassa, Julho de 1988. Nessa rua, que se percorre ritualmente no sentido dos ponteiros do relógio, vende-se toda a espécie de artigos religiosos. Os tibetanos, tradicionalmente nómadas, são incansáveis peregrinos religiosos e em Barkhor podem adquirir qualquer artigo de que necessitem antes de penetrar nos mosteiros.

Três monges, possivelmente itinerantes, psalmodiam sutras num pátio do mosteiro Drepung, em Lassa, Julho de 1988. Uma mulher faz-lhes uma oferenda em dinheiro. Os monges colocaram o sutra sobre um simples caixote, não sem antes o terem coberto com um lenço ritual. O monge da esquerda tem a seu lado uma lamparina de manteiga de iaque.

3.12.06


Este é o meu amigo Xiao Panpan, um mês antes de perfazer três anos de idade. De modo a protegê-lo dos rigorosos invernos de Pequim, os pais haviam-lhe comprado um vistoso anorak que testemunhava a invasão global da Disney. O barrete de cauda, no entanto, fora adquirido pelo pai em Chiang Mai, no norte da Tailândia, aonde os vendiam por toda a parte e em tons variados. O pai pertencia à pequena minoria de chineses que podiam deslocar-se ao estrangeiro. Pequim, Fevereiro de 1990.


Xiao Panpan. Pequim, 1990.


Xiao Panpan. Pequim, 1990.


Xiao Panpan. Pequim, 1990.